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REVISTA CONEXÃO VAQUEJADA, QUEM LEMBRA?

Dias atrás, numa daquelas remexidas que damos vez por outra nas coisas do passado, encontrei, sem querer, uma antiga coleção da Revista Conexão Vaquejada. Para quem não chegou a conhecer, essa foi uma das mais importantes e difundidas publicações sobre vaquejada até hoje. A revista era o maior meio de comunicação do esporte nos anos 90. Lembro-me que ela surgiu independente e depois de algum tempo veio a ser comprada pelo Emanuel Gurgel, então dono da banda Mastruz com Leite e outras. A resvista era realmente muito boa e marcou época – não sei por qual motivo, deixou de existir. Selecionei algumas capas que ainda estavam em boas condições, escaniei, e aí vão, para relembrar os velhos tempos.

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E você, tem boas recordações da Conexão Vaquejada?

PERNAMBUCANO DE VAQUEJADA 1999: QUEM GANHOU?

Tempos atrás recebi solicitações de um leitor do blog quanto a necessidade de levantarmos temas polêmicos, caso desejássemos fomentar a discussão e o crescimento desse espaço na internet. Bem, concordo com ele! E, como estava pensando em criar uma categoria “memórias”, decidi juntar o útil ao agradável e ir buscar na memória um assunto polêmico. É verdade que isso é o que não falta na vaquejada: “a faixa deve diminuir?”; “duas ou uma senha?”; “quem é amador e quem é profissional?”; “pode-se levar zero por quebrar um rabo mesmo estando-se com uma luva dentro das normas?”, enfim, levaria uns 20 posts se desejasse listar todos os assuntos controversos.cavalo-esteira

Polêmica: campeão de um circuito ou de uma etapa

Então, pra começar, decidi polemizar com algo que na altura pareceu-me muito injusto. O ano foi 1999, final do Circuito Pernambucano de Vaquejada no Parque Rufina Borba, em Bezerros – PE. Vou contar a história, mas sem em algum ponto minha memória me trair, não exitem em corrigir-me, afinal, mais de dez anos se passaram. Naquele ano o vaqueiro Fernandinho Ceres liderou com folga o circuito em seu cavalo alazão, que posteriormente viria a ser sacrificado por anemia. Bem, chegada a grande final, a liderança manteve-se de pé, porém o Fernandinho não sagrou-se campeão. O que se sucedeu foi o seguinte: naquela época as regras do circuito diziam que na final os vinte mais pontuados deveriam participar de uma disputa de onde sairia o grande campeão. Ou seja, o vaqueiro podia fazer muito mais pontos durante todo o circuito, mas essa disputa final  era que diria quem realmente sairia vitorioso. Ao meu ver, essa não seria a maneira correta de se dizer quem venceu o circuito, uma vez que um circuito é feito de várias etapas e não de uma disputa isolada. Poderia-se sim, fazer-se uma disputa com os vinte primeiros a título de “Campeão dos campeões”, como comumente acontecia no passado, porém, sem negar o título a quem ganhou o circuito de fato. Se não estou enganado, já no ano seguinte as regras foram mudadas.cavalo-puxando-boi

Grandes vaqueiros, grandes cavalos e um enorme espetáculo

E foi assim que aconteceu: após a pontuação da vaquejada, os vinte primeiros iniciaram a disputa. Lá pras tantas e quantas ficaram o Fernandinho Ceres; o, na época estourado, Ademir (falecido), de Riachão do Jacuípe – BA, que vinha ganhando tudo em seu cavalo Ronaldinho e o eternizado Ayrton Senna das vaquejadas, João Batista, montando o Calendário. Bem, fora o show à parte de Calendário, que no dia ganhou um carro e uma moto da premiação final do circuito (com João Batista e Ivan Nunes, respectivamente) e ainda rachou o carro da etapa corrente (com Sérgio Nunes), esses vaqueiros proporcionaram-nos um verdadeiro espetáculo. Lá pro fim a coisa ficou tão acirrada que o João e o Fernandinho se uniram e botaram um boi do Ademir na televisão, vencendo assim o bahiano, e deram continuidade à disputa. Algumas rodadas mais tarde a dupla João x Calendário, impecável, venceu a parada. Assim, o João Batista entrou para o hall da fama dos vencedores do Circuito Pernambucano de Vaquejada tendo vencido, que eu me lembre, apenas a etapa da SOVACA, em Caruaru.

Antes tarde do que nunca

Embora não haja reparo ao prejuízo do vaqueiro Fernandinho Ceres, felizmente as regras foram revistas. É óbvio que ninguém pode fazer apenas alguns pontos, chegar na final em vigésimo lugar e se consagrar campeão com uma única disputa (não sendo esse esse o caso do João Batista, acho que ele estava no meio dos dez primeiros). Além de buscar reviver o passado e estimular a discussão sobre vaquejada, um post como esse pode ter a serventia de documentar e levar aos quatro cantos os termos nos quais um vaqueiro perdeu e o outro venceu o páreo. Penso que o “Campeão do Circuito Pernambucano de 1999” é de uma qualidade indiscutível, talvez até incomparável ao segundo lugar, mas, naquele dia, ele levou um prêmio que não era seu.

E você, o que acha?


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