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O Autor on domingo, fevereiro 21st, 2010 |
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Tempos atrás recebi solicitações de um leitor do blog quanto a necessidade de levantarmos temas polêmicos, caso desejássemos fomentar a discussão e o crescimento desse espaço na internet. Bem, concordo com ele! E, como estava pensando em criar uma categoria “memórias”, decidi juntar o útil ao agradável e ir buscar na memória um assunto polêmico. É verdade que isso é o que não falta na vaquejada: “a faixa deve diminuir?”; “duas ou uma senha?”; “quem é amador e quem é profissional?”; “pode-se levar zero por quebrar um rabo mesmo estando-se com uma luva dentro das normas?”, enfim, levaria uns 20 posts se desejasse listar todos os assuntos controversos.
Polêmica: campeão de um circuito ou de uma etapa
Então, pra começar, decidi polemizar com algo que na altura pareceu-me muito injusto. O ano foi 1999, final do Circuito Pernambucano de Vaquejada no Parque Rufina Borba, em Bezerros – PE. Vou contar a história, mas sem em algum ponto minha memória me trair, não exitem em corrigir-me, afinal, mais de dez anos se passaram. Naquele ano o vaqueiro Fernandinho Ceres liderou com folga o circuito em seu cavalo alazão, que posteriormente viria a ser sacrificado por anemia. Bem, chegada a grande final, a liderança manteve-se de pé, porém o Fernandinho não sagrou-se campeão. O que se sucedeu foi o seguinte: naquela época as regras do circuito diziam que na final os vinte mais pontuados deveriam participar de uma disputa de onde sairia o grande campeão. Ou seja, o vaqueiro podia fazer muito mais pontos durante todo o circuito, mas essa disputa final era que diria quem realmente sairia vitorioso. Ao meu ver, essa não seria a maneira correta de se dizer quem venceu o circuito, uma vez que um circuito é feito de várias etapas e não de uma disputa isolada. Poderia-se sim, fazer-se uma disputa com os vinte primeiros a título de “Campeão dos campeões”, como comumente acontecia no passado, porém, sem negar o título a quem ganhou o circuito de fato. Se não estou enganado, já no ano seguinte as regras foram mudadas.
Grandes vaqueiros, grandes cavalos e um enorme espetáculo
E foi assim que aconteceu: após a pontuação da vaquejada, os vinte primeiros iniciaram a disputa. Lá pras tantas e quantas ficaram o Fernandinho Ceres; o, na época estourado, Ademir (falecido), de Riachão do Jacuípe – BA, que vinha ganhando tudo em seu cavalo Ronaldinho e o eternizado Ayrton Senna das vaquejadas, João Batista, montando o Calendário. Bem, fora o show à parte de Calendário, que no dia ganhou um carro e uma moto da premiação final do circuito (com João Batista e Ivan Nunes, respectivamente) e ainda rachou o carro da etapa corrente (com Sérgio Nunes), esses vaqueiros proporcionaram-nos um verdadeiro espetáculo. Lá pro fim a coisa ficou tão acirrada que o João e o Fernandinho se uniram e botaram um boi do Ademir na televisão, vencendo assim o bahiano, e deram continuidade à disputa. Algumas rodadas mais tarde a dupla João x Calendário, impecável, venceu a parada. Assim, o João Batista entrou para o hall da fama dos vencedores do Circuito Pernambucano de Vaquejada tendo vencido, que eu me lembre, apenas a etapa da SOVACA, em Caruaru.
Antes tarde do que nunca
Embora não haja reparo ao prejuízo do vaqueiro Fernandinho Ceres, felizmente as regras foram revistas. É óbvio que ninguém pode fazer apenas alguns pontos, chegar na final em vigésimo lugar e se consagrar campeão com uma única disputa (não sendo esse esse o caso do João Batista, acho que ele estava no meio dos dez primeiros). Além de buscar reviver o passado e estimular a discussão sobre vaquejada, um post como esse pode ter a serventia de documentar e levar aos quatro cantos os termos nos quais um vaqueiro perdeu e o outro venceu o páreo. Penso que o “Campeão do Circuito Pernambucano de 1999” é de uma qualidade indiscutível, talvez até incomparável ao segundo lugar, mas, naquele dia, ele levou um prêmio que não era seu.
E você, o que acha?